O que Fazer Durante uma Crise Convulsiva? Guia de Primeiros Socorros


⚡ Resposta Rápida | A grande maioria das crises termina sozinha em 1 a 2 minutos. Seu papel é proteger a pessoa de lesões enquanto a crise passa — nunca tentar interrompê-la. Deite a pessoa de lado, afaste objetos perigosos, cronometre o tempo e NUNCA coloque nada na boca. Ligue para o SAMU (192) se a crise durar mais de 5 minutos.
Presenciar alguém passando por uma crise convulsiva pode ser assustador, mas manter a calma e saber como agir é o caminho mais seguro para proteger a pessoa. O primeiro ponto que você deve lembrar: a grande maioria das crises termina sozinha em apenas 1 ou 2 minutos.
O objetivo de quem está prestando o socorro não é interromper a convulsão, mas sim garantir que a pessoa não se machuque enquanto o episódio acontece. Veja na tabela abaixo o resumo completo do que fazer e o que não fazer:
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| ✅ O que FAZER | ⛔ O que NÃO fazer (mitos perigosos) |
|---|---|
| Deite a pessoa no chão com cuidado para evitar quedas | NÃO tente segurar ou conter os braços e pernas durante a crise |
| Afaste objetos duros, cortantes ou perigosos do entorno | NÃO coloque nada na boca (colher, pano, dedos) — é impossível engolir a língua |
| Apoie a cabeça com algo macio (casaco, almofada) | NÃO dê água, remédios ou alimentos durante a crise |
| Vire o corpo de lado (posição de recuperação) ao cessar os movimentos | NÃO tente reanima-la ou sacudi-la para acordar |
| Afrouxe roupas apertadas no pescoço (gravata, botões) | NÃO deixe a pessoa sozinha até que recupere totalmente a consciência |
| Cronometre o tempo da crise (use o cronômetro do celular) | NÃO a mova desnecessariamente (exceto para afastar de perigo imediato) |
| Fique ao lado até ela se recuperar totalmente | NÃO entre em pânico — a maioria das crises passa sozinha em 1 a 2 minutos |
Afaste imediatamente qualquer objeto perigoso, cortante ou duro que esteja por perto. Se for possível e seguro, ajude a pessoa a deitar-se no chão para evitar quedas e use algo macio (como um casaco dobrado ou almofada) para apoiar e proteger a cabeça.
Assim que os movimentos mais intensos pararem, ou se você notar que a pessoa começou a babar ou vomitar, vire o corpo dela delicadamente de lado. Essa posição é fundamental para manter as vias aéreas livres e evitar engasgo.
Olhe para o relógio e marque exatamente quanto tempo a crise está durando. Essa informação é preciosa para os médicos e para definir se é necessário chamar emergência.
Fique com a pessoa até que ela recupere totalmente a consciência e consiga falar normalmente. É comum que ela acorde confusa ou assustada. Fale com calma e de forma tranquilizadora.
📱 Dica prática: Se possível, grave um vídeo curto da crise com o celular. É uma das informações mais valiosas que você pode levar ao neuropediatra — permite que o médico classifique o tipo de crise com muito mais precisão.
Embora a maioria das crises passe sozinha e não exija ida ao hospital, você deve acionar o serviço de emergência imediatamente se notar qualquer uma das situações abaixo:
| Situação de alerta | Por que é emergência? |
|---|---|
| Crise com duração superior a 5 minutos | Risco de Estado de Mal Epiléptico — emergência médica que exige medicação injetavel urgente |
| Crises repetidas sem recuperação da consciência | Configura Estado de Mal — o cérebro não está conseguindo interromper as descargas |
| Dificuldade para respirar após a crise | Risco de hipoxemia e comprometimento das vias aéreas |
| Traumatismo na cabeça ou ferimentos sangrentos | Possibilidade de hemorragia ou lesão intracraniana |
| Crise dentro da água (piscina, mar, banheira) | Alto risco de afogamento mesmo em água rasa |
| Primeira crise da vida | Necessidade de avaliação médica urgente e diagnóstico |
| Paciente grávida, diabética ou com doença crônica | Risco adicionais que exigem avaliação especializada imediata |
| Demora para recuperar a consciência após os movimentos | Período pós-ictal prolongado pode indicar lesão ou crise repetida silenciosa |
⚠️ Estado de Mal Epiléptico: Uma crise que ultrapassa 5 minutos é uma emergência médica real. O cérebro começa a sofrer danos quando privado de oxigênio por períodos prolongados. Não espere — ligue 192 imediatamente e informe que é uma convulsão prolongada.
A ideia de que alguém pode engolir a própria língua durante uma convulsão é um mito médico absolutamente falso. A língua é presa ao assoalho da boca por um frênulo — ela não pode ser engolida anatomicamente.
Tentar introduzir objetos (colheres, panos ou dedos) na boca de quem está com a mandíbula travada causa ferimentos graves na boca da pessoa, pode quebrar dentes e expor o socorrista a uma mordida seria. Manter a boca livre é sempre a conduta correta.
| ❓ Perguntas Frequentes (FAQ) |
|---|
| P: Devo chamar a ambulância toda vez que meu filho tiver uma crise? R: Não necessariamente. Se a crise é conhecida e já existe um diagnóstico de epilepsia, e se ela terminar em menos de 5 minutos sem sinais de alerta, a família geralmente pode manejar em casa segundo o plano de ação de emergência definido com o neuropediatra. Crises com os sinais da tabela exigem acionamento do 192. |
| P: Quando devo usar o medicamento de resgate (spray nasal ou diazepam)? R: O medicamento de resgate (Midazolam nasal, Diazepam retal ou nasal) deve ser usado quando a crise ultrapassar o tempo definido pelo neuropediatra — geralmente 5 minutos — ou quando houver crises repetidas. A decisão e a técnica de aplicação devem ser orientadas previamente pelo médico. |
| P: Meu filho ficou com confusão mental depois da crise. É normal? R: Sim, é muito comum. O período de confusão, sonolência e moleza após uma crise convulsiva é chamado de fase pós-ictal. Dura normalmente de 10 a 30 minutos, mas pode ser mais longo em crises mais intensas. Se a confusão durar mais de 1 hora, acione a emergência. |
| P: O que devo relatar ao médico após uma crise? R: Anote: hora de início, duração exata, em qual parte do corpo começou, se houve perda de consciência, o que aconteceu após (confusão, sonolência, choro), qualquer gatilho percebido (febre, cansaço, esquecimento do remédio) e se a crise foi diferente das anteriores. |
| P: Posso deixar meu filho dormir após a crise? R: Sim. É comum e normal que a criança durma após uma crise — o cérebro está se recuperando. Fique por perto, verifique que a respiração está normal e coloque-a em posição lateral de segurança. Não é necessário mantê-la acordada à força. |
Revisão clínica e editorial
Revisado por: Dra. Paula Girotto Fonseca | CRM.SP: 146415 | Especialidade: Neuropediatria e Neurofisiologia – RQE 576141 e 576142
Publicado: 30/07/2026 | Atualizado: 30/07/2026
Este conteúdo tem finalidade educativa e informativa. Não substitui a consulta com o médico especialista.