Hidrocefalia. Não importa quantas vezes o médico repita, em momentos tensos ou em que levamos um susto, o cérebro nem sempre consegue acompanhar o que está acontecendo ao nosso redor e muito menos processar o que está sendo nos dito.

Quando recebemos um diagnóstico, nunca sabemos qual será a nossa reação, mas e quando se trata do seu filho? Consegue se colocar neste lugar? Você se lembra como foi? Por mais que tenha ouvido opiniões diversas e consultado diferentes especialistas sobre o assunto, ainda assim pode haver dúvidas.

Então continue acompanhando este artigo para saber mais sobre a Hidrocefalia, como identificá-la e como proceder diante de um diagnóstico específico como esse.

Entendendo o Conceito de Hidrocefalia

A Hidrocefalia se trata de um acúmulo excessivo de líquido cefalorraquidiano (LCR ou liquor, como também é conhecido) dentro do crânio. Este aumento anormal do volume de líquido acaba dilatando os ventrículos (cavidades cerebrais naturais que se comunicam entre si e que são preenchidas pelo liquor) e comprimindo o cérebro contra os ossos do crânio, causando uma série de sintomas que devem ser tratados assim que identificados.

Este tipo de situação, que pode surgir na vida intrauterina, ao longo da infância ou na fase adulta, ocorre quando há um desequilíbrio entre a produção e a absorção do líquido cefalorraquidiano. Logo, a hidrocefalia pode se originar de diversas causas, como prematuridade, cistos, tumores, traumas, infecções e malformação do sistema nervoso. E de acordo com cada uma delas, pode ser classificada entre os seguintes tipos:

  • de Pressão Normal: mais comumente encontrada em idosos, ela surge após um trauma ou uma doença, mas sem nenhuma causa exata;
  • Não-obstrutiva: é caracterizada pelo resultado da alta produção ou da baixa absorção do líquido cefalorraquidiano;
  • Obstrutiva: quando há um bloqueio no sistema ventricular do cérebro, ocasionando o impedimento da fluidez normal do líquido cefalorraquidiano pelo cérebro e pela medula espinhal.

Características da Hidrocefalia

Nos recém-nascidos e nas crianças mais novas, os sintomas mais comuns que se fazem presentes diante de uma situação como esta são:

  • Irritabilidade;
  • Vômito;
  • Sonolência;
  • Má alimentação;
  • Convulsão;
  • Letargia;
  • Apneia ou parada respiratória;
  • Alteração do formato do crânio;
  • Olhos fixos e voltados para baixo;
  • Cabeça grande ou que cresce rapidamente;
  • Moleira aberta, abaulada e tensa (fontanela dilatada);
  • Déficits no tônus muscular e pouca força;
  • Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor.

Enquanto que nas crianças mais velhas, os sinais costumam ser dor de cabeça; dificuldades para enxergar (visão turva ou dupla) e para acordar ou permanecer acordado; letargia ou sonolência excessiva; náusea ou vômito; equilíbrio instável; aumento anormal da cabeça; má coordenação; falta de apetite e convulsão.

Além disso, também podem apresentar:

  • Mudança de personalidade;
  • Déficit de atenção;
  • Irritabilidade;
  • Declínio no rendimento escolar;
  • Atrasos ou problemas com habilidades já adquiridas, a exemplo de andar e de falar.

Possíveis Complicações

Quando não identificada e consequentemente, não devidamente tratada, a hidrocefalia pode evoluir lentamente e acabar prejudicando o cérebro e suas funções, como causar problemas de aprendizagem; de concentração; de raciocínio lógico; de memória de curto prazo; de coordenação; de organização e de motivação. Além de ainda poder proporcionar dificuldades de localização temporo-espacial e na visão.

Porém, ainda há chances de existir complicações a longo prazo mesmo após o tratamento. Em se tratando da hidrocefalia congênita (que ocorre antes ou logo após o parto), pode resultar em deficiência intelectual e em retardo dos desenvolvimentos mental e físico, por exemplo.

Formas de Tratar a Hidrocefalia

Os principais objetivos do tratamento são reduzir e prevenir os danos cerebrais por meio de melhora e da correção do fluxo de LCR. Logo, o mais indicado para a retirada do excesso de líquido do sistema ventricular é a cirurgia de implante de válvula. Por meio dela, a válvula, que é acoplada a um tubo flexível de silicone, drena o excesso de liquor para a cavidade abdominal, reduzindo assim a pressão interna dos ventrículos do cérebro.

Além desta abordagem, o médico especialista também pode optar por antibióticos e por terceiro ventriculostomia endoscópica (TVE), em que é feito um buraco no assoalho do ventrículo com intuito de diminuir a pressão intracraniana proporcionada pelo líquido cefalorraquidiano.

Enquanto que a neuroendoscopia (em que fazem um furo no crânio para que o liquor circule mais facilmente) é utilizada como uma alternativa para não ter que levar o líquido para outra parte do corpo.

Mas, é importante deixar claro que tudo depende de uma avaliação médica, de consultas com especialistas e de uma análise detalhada e profunda de cada caso individualmente.

E lembre-se, ao presenciar sintomas como os descritos acima ou caso observe sinais atípicos no seu filho, procure um médico. Somente ele poderá diagnosticar o quadro do pequeno, indicar as melhores abordagens para o caso, aconselhá-los sobre as medidas individuais cabíveis e realizar os acompanhamentos futuros necessários.

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