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Qual pai não fica admirado e embasbacado com cada pequena conquista dos filhos, não é mesmo?! Momentos como aqueles em que balbuciam as primeiras palavras, em que dão os primeiros passos, em que alcançam objetos que vocês nem se quer sonhavam que fossem possíveis e assim por diante.

Junto com essas pequenas conquistas, surge o desespero, a insegurança, a preocupação e outras muitas sensações semelhantes, típicas de quando estamos prestes a encarar o desconhecido.

Contudo, saiba que vocês não estão sozinhos nessa. Muitos pais e/ou responsáveis já passaram, estão passando ou ainda vão passar por essa mesma situação. A única diferença é o modo como cada família lida ou vai lidar com ela.

É importante que vocês tenham consciência de que tudo na vida leva tempo e que cada um reage de maneira diferente, mas em uma coisa eles se assemelham: todos precisam passar por essa trajetória.

O Caminho para a Independência da Criança

Cada uma das atitudes dos pequenos não surgiu do nada. Acontece que estamos tão preocupados, realizando tantas tarefas ao mesmo tempo, que não paramos para reparar que as crianças são capazes de realizar várias atividades com um simples gesto: apenas observando os adultos, as pessoas que estão ao seu redor ou que fazem parte do seu cotidiano.

Um grande erro dos pais é subestimar a capacidade dos pequenos, por acharem que eles são novos demais para desenvolver uma ação/resolver uma situação, ou por acharem que terão a vida toda pela frente para passar por uma determinada experiência.

E isso, muitas vezes, acontece de forma involuntária, devido à ânsia e ao instinto de proteção materno e paterno deles. Por isso, esse exercício é um momento de aprendizado para ambas as partes envolvidas (pais e filhos).

O processo para as crianças se tornarem pessoas independentes é gradual, demanda muita paciência e deve ser exposto de forma natural para os pequenos, através de tarefas do dia a dia, como, por exemplo, deixar que segurem a mamadeira, que peguem os brinquedos – que devem ficar ao seu alcance – sozinhos, tomem banho e troquem-se sozinhos, dentre tantas outras atividades.

Tudo isso deve ser acompanhado pelos pais e/ou responsáveis, mas sem interferência dos mesmos – a não ser que seja necessário ou que as crianças estejam fazendo algo que ofereça perigo.

Além do mais, é preciso ter consciência de que toda aprendizagem demanda:

  • Iniciativa para começar algo novo;
  • Tentativa / prática / treino;
  • Saber lidar com a frustração ao errar;
  • Persistência para tentar novamente;
  • Saber a hora de buscar ajuda;
  • Tentar quantas vezes forem necessárias até atingir o seu objetivo.

Independência da Criança X Limites

Um fator que deve ser levado em consideração é que existe uma diferença entre independência e liberdade sem limites. Uma coisa é você educar os seus filhos e desejar que eles sejam adultos, capazes de agir sozinhos no futuro. Outra coisa é não impor limites para as crianças. Tudo bem que cada família tem a sua cultura, desejos, sonhos, ideias do que é o melhor para o seu filho, mas é válido ressaltar que é preciso educá-los de forma que eles aprendam que nem tudo é do jeito que desejam.

Logo, chegamos à conclusão de que é importante dar espaço para que os pequenos aprendam, observando e colocando em prática tudo aquilo que absorveram de forma natural com seus familiares.

Ou seja, respeite a vontade, o tempo e o espaço do seu filho, tenha paciência com ele e entenda que, ajudando-o e educando-o para ser uma criança independente, você estará moldando um adulto melhor, seguro, confiante e responsável para o mundo.

Artigo publicado em: 14/09/2017.

Artigo atualizado em: 15/03/2019.

Por: Dra. Paula Girotto

Neurologista Infantil SP - Compartilhe!