Ao contrário das preocupações leves e ocasionais que uma criança frequentemente tem, a Síndrome do Pânico pode afetar drasticamente a vida dos pequenos, interrompendo suas atividades normais quando um episódio de pânico acontece, ou quando a criança torna-se permanentemente apavorada e preocupada com os próximos ataques de pânico.

Da mesma forma que acomete adultos, a síndrome do pânico também pode ocorrer entre crianças – embora em menor proporção – e adolescentes. Os ataques são similares em todas as idades, bem como a ansiedade intensa que acompanha o medo das futuras crises de pânico que se aproximam.

A desordem mental é pouco observada na infância, mas sua incidência aumenta significativamente no final da adolescência.

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Síndrome do Pânico em Crianças e Adolescentes – O Que É

Algumas crianças e adolescentes com síndrome do pânico evitam lugares onde elas acham que podem ter ataques, ou têm um medo persistente de ficar ou ir para lugares onde não há ajuda disponível caso ocorra uma crise.

Além de comprometer as atividades cotidianas da criança ou do adolescente, a síndrome prejudica seu desempenho acadêmico, suas relações interpessoais e sua vida social como um todo. À medida que a criança teme desesperadamente a chegada de um novo ataque, ela passa a evitar qualquer tipo de situação que, supostamente, poderia desencadear uma crise de pânico – tal como uma apresentação na escola, uma avaliação, etc.

Como consequência, a criança deixa de vivenciar uma série de situações que são parte fundamental de seu desenvolvimento. Com o tempo, outras desordens psicológicas podem surgir – incluindo ansiedade, transtornos de humor e inclinação para o abuso de substâncias durante a adolescência e vida adulta, como o uso de álcool e/ou de drogas.

Identificando a Síndrome do Pânico

Uma criança tendo um ataque de pânico pode ficar assustada ou irritada de repente, sem nenhuma explicação clara. Esse comportamento geralmente é confuso para outras pessoas.

Às vezes a criança explica seu sintomas de maneira incorreta durante o ataque de pânico, associando-a como uma resposta à uma causa externa (por exemplo: “tudo começou quando eu vi aquele cachorro”).

Estas crianças, especialmente se forem jovens demais, podem não conseguir articular ainda os medos intensos que experimentam durante um ataque de pânico.

Síndrome do Pânico em Crianças e Adolescentes – Sintomas

Os ataques de pânico geralmente vêm acompanhados de uma série de sintomas, que variam de paciente para paciente. Na maioria das vezes eles se manifestam de repente, sem aviso prévio, podendo se estender durante horas. Confira os mais comuns:

  • Transpiração excessiva;
  • Medo muito intenso;
  • Palpitação e frequência cardíaca irregular;
  • Vertigem e perda de consciência;
  • Tremor e agitação excessivos;
  • Falta de ar;
  • Dor no peito;
  • Sensação de confusão;
  • Náuseas, dores abdominais;
  • Perda involuntária de urina, em alguns casos.

Síndrome do Pânico X Fobia

A síndrome do pânico é diferente da previsibilidade dos ataques de pânico. Se uma criança tiver um medo previsível de uma situação em particular (como um encontro com uma pessoa nova) ou previsivelmente entra em pânico ao ver algo que ele ou ela acha assustador (como uma aranha), a criança pode ter uma fobia ao invés de síndrome do pânico.

Fobias são medos intensos previsivelmente disparados por determinadas situações ou objetos. As fobias incluem fobia social (associada com um medo intenso ao se expor a novas pessoas) e fobias específicas (associadas ao medo intenso de se expor a situações ou objetos).

Se não for tratada, a síndrome do pânico pode levar a limitações consideráveis em outras áreas da vida da criança.

Síndrome do Pânico em Crianças e Adolescentes – Diagnóstico

O diagnóstico da síndrome em crianças e adolescentes inicia-se com a exclusão de qualquer suspeita de outra condição médica que possa provocar ataques de pânico, incluindo a fobia. A partir daí, o especialista solicitará uma avaliação física detalhada, que poderá incluir exames de sangue, ultrassom, exame de saúde mental e todo o histórico de ataques de pânico da vida da criança.

Síndrome do Pânico em Crianças e Adolescentes – Tratamento

O tratamento da síndrome do pânico em crianças e adolescentes geralmente é uma combinação de psicoterapia e assistência aliada ao uso de medicamentos.

A psicoterapia, é uma abordagem focada em ajudar pessoas a lidarem com suas próprias questões emocionais. A psicoterapia pode ser voltada tanto ao paciente, de maneira isolada, como também para toda a família. Dessa forma, o tratamento proporciona uma melhora da comunicação entre os familiares e, consequentemente, eles saberão como lidar com a criança que sofre com a síndrome do pânico. Quando dirigida somente à criança, ou ao adolescente, a terapia pode ajudar a controlar a ansiedade e os ataques de pânico, através de algumas técnicas.

Se você notou um ou mais dos sintomas citados neste artigo em seu filho, pode ser que ele seja uma vítima da síndrome do pânico. Mas, calma, não há porquê se desesperar: existem tratamentos disponíveis e eficazes no controle desta desordem mental. O importante é buscar ajuda médica o quanto antes.

Marque uma consulta com o neuropediatra de sua confiança e confirme – ou não – o diagnóstico de síndrome do pânico de seu filho. Após diagnosticada a condição, o tratamento deve ser iniciado imediatamente, minimizando os reflexos que esta pode gerar no futuro do pequeno.

Fonte: http://www.scielo.br/pdf/jped/v80n2s0/v80n2Sa05.pdf

Artigo publicado em: 21/09/2017

Artigo atualizado em: 21/11/2018.

Por: Dra. Paula Girotto

Neurologista Infantil SP - Compartilhe!