Com certeza você já ouviu falar em bullying. A expressão refere-se a toda e qualquer violência praticada no ambiente escolar, manifestada geralmente por meio de zombarias.

Crianças e adolescentes vítimas de bullying sofrem pressão e perseguição constante por parte dos colegas no ambiente escolar, durante longos períodos de tempo. As situações podem incluir agressão física e verbal, ancoradas na violência física e psicológica.

A prática de bullying pode ocasionar problemas psicológicos e alterações comportamentais severas na vítima, incluindo depressão, baixa autoestima, estresse, pânico, isolamento social, faltas frequentes ou evasão do contexto escolar, autoflagelação e até mesmo suicídio. Além disso, os traumas vivenciados podem tornar a vítima agressiva, comprometer seu desenvolvimento e até mesmo seu funcionamento cerebral.

Bullying e Alteração Comportamental

Um estudo realizado por um grupo de pesquisadores da Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos, analisou o comportamento de camundongos submetidos a uma situação de estresse social semelhante a dos alunos vítimas de bullying.

Os resultados do estudo apontam que o abuso gera alterações na química cerebral, comprometendo sobretudo as regiões relacionadas à socialização e ao processamento das emoções.

Depois de submetidos aos traumas do “bullying”, todos os camundongos apresentaram alterações comportamentais, incluindo o isolamento e a relutância em se aproximar dos animais da sua espécie.

“Nós descobrimos que, depois de passarem dias sentindo-se derrotados e subjugados por outros animais, os camundongos ficaram relutantes em se aproximar de outros animais de sua espécie” descreve Yoav Litvin, principal autor do estudo.

Depois de identificada a mudança comportamental, os pesquisadores observaram também uma sensibilidade maior dos camundongos ao hormônio vasopressina, que no ser humano está associado ao estresse, à agressão e à ansiedade.

É possível que as alterações sucedidas no centro emocional do cérebro dos camundongos sejam a origem das mudanças de comportamento decorrentes de situações como o bullying.

No entanto, é importante ressaltar que os cérebros dos humanos são muito diferentes dos cérebros dos camundongos. Novos estudos são necessários para confirmar se as alterações cerebrais presentes nos ratos repetem-se nos humanos, e também se tratam-se de alterações permanentes ou temporárias.

Bullying e Alteração Comportamental – Desenvolvimento Das Crianças

As alterações no funcionamento do cérebro decorrentes do bullying podem comprometer o desenvolvimento das crianças e adolescentes que vivenciaram essas situações.

A criança que sofre bullying tem uma grande probabilidade de desenvolver baixa autoestima, o que pode levá-la a “esconder-se” das dificuldades e dos obstáculos que fazem parte da vida.

O comportamento de fuga das situações que exigem enfrentamento e superação da criança prejudicará seu desenvolvimento social e cognitivo, uma vez que estes enfrentamentos são fundamentais para que o indivíduo supere seus próprios limites e evolua.

Bullying e Alteração Comportamental – Como Contornar?

Em alguns casos, as consequências do bullying perpetuam durante toda a vida da criança. As situações traumáticas podem gerar desequilíbrio em suas esferas psicológicas, cognitivas, comportamentais, físicas e afetivas.

A boa notícia é que é possível minimizar e até reverter o quadro de trauma, através de tratamentos como a psicoterapia e o acompanhamento com um neurologista infantil.

A recomendação aos pais é manterem-se alertas em relação ao comportamento dos filhos e à rotina escolar. Caso você observe relutância da criança em ir às aulas ou alterações comportamentais – incluindo o isolamento de outras crianças, ansiedade e depressão – converse com ela sobre isso. Investigue a origem dessa mudança de comportamento e converse com os pedagogos, caso julgue necessário.

Se for confirmado que seu filho está sendo vítima de bullying, tome as providências necessárias o quanto antes. Converse com a equipe pedagógica, mude a criança de escola se for necessário, e dê início a um acompanhamento médico do pequeno.

Fonte: http://bdtd.biblioteca.ufpb.br/handle/tede/7004

Neurologista Infantil SP - Compartilhe!