A vacina contra febre amarela é de vírus atenuado (o próprio vírus enfraquecido). Geralmente, a vacina é bem tolerada e seus efeitos são leves. Historicamente, esta foi considerada uma das vacinas de vírus vivo atenuado mais seguras e eficazes já desenvolvidas.

As reações vacinais variam de leves a graves, e, a cada 100 milhões de aplicações de vacina, apenas 4 delas acarretam em doenças neurológicas agudas.

Reações Vacinais Contra Febre Amarela

As reações vacinais leves da febre amarela geralmente manifestam-se entre o terceiro e o décimo dia após a aplicação, e desaparecem espontaneamente, com duração de um a três dias. Febre baixa, dor de cabeça e dores musculares, mal-estar e fraqueza são algumas delas.

As reações alérgicas da vacina contra febre amarela manifestam-se rapidamente (de 1 a 2 horas após a aplicação), são raras e geralmente de leve intensidade. São elas: urticária, broncoespasmo, angioedema e choque anafilático (em casos muito raros).

As reações graves da vacina da febre amarela ocorrem em menos de 1% das aplicações, ou seja, são bem raras. São elas: reações alérgicas graves, doença viscerotrópica aguda, doença neurológica aguda associada à vacina e até mesmo morte súbita.

Vacina da Febre Amarela e Doenças Neurológicas

As doenças neurológicas associadas à vacina da febre amarela manifestam-se geralmente entre 14 a 28 dias após a aplicação. Trata-se de um evento grave, porém raramente fatal. As doenças neurológicas associadas à vacina, geralmente, apresentam uma boa evolução: a maior parte das vítimas recuperam-se completamente.

A meningoencefalite é a doença neurológica mais comum associada à vacina contra febre amarela. Trata-se de uma inflamação da meninge e do tecido cerebral, causada diretamente pelo vírus da vacina.

A Síndrome de Guillain Barré (doença aguda, não febril, que se manifesta como fraqueza ascendente nos membros inferiores e ausência de reflexos) e a encefalomielite disseminada aguda são outras doenças neurológicas associadas à vacina da febre amarela. Ambas se caracterizam por manifestações auto imunes mediadas dos anticorpos produzidos em resposta à aplicação da vacina, causando desmielinização central ou periférica. A dor e as alterações na sensibilidade também são sintomas comuns, particularmente em crianças, sendo que a dor pode ser a manifestação inicial em quase metade das crianças afetadas.

Historicamente, a doença neurotrópica associada à vacina da febre amarela é o evento adverso grave mais comum entre as crianças.

Outros sintomas e doenças neurológicas agudas relacionadas à vacina contra febre amarela são:

  • Febre;
  • Cefaleia intensa e prolongada;
  • Meningite asséptica;
  • Desordem no nível de consciência;
  • Desordens motoras (sintomas que lembram AVC);
  • Convulsões;
  • Encefalite;
  • Encefalomielite disseminada aguda.

Precauções e Contraindicações à Vacina Contra Febre Amarela

A infecção pelo vírus da vacina contra a febre amarela representa um risco teórico de encefalite para:

  • pacientes com síndrome de imunodeficiência adquirida (AIDS);
  • pacientes infectados pelo HIV e outras manifestações de infecção pelo HIV;
  • pacientes com leucemia, linfoma, malignidade generalizada;
  • pessoas cujas respostas imunológicas são reprimidas por corticoides, fármacos alquilantes, antimetabólitos ou radiação.

Os lactentes com menos de 6 meses de idade provavelmente serão mais suscetíveis à reação adversa grave, como a doença neurotrópica associada à vacina da febre amarela do que as crianças maiores. Desta forma, a vacinação nesta faixa etária está contra-indicada.

O fabricante e a FDA recomendam que a vacinação de crianças com menos de 9 meses de idade seja evitada, devido ao risco de encefalite. Assim, também é recomendado que a viagem a zonas endêmicas de febre amarela seja adiada ou evitada, sempre que possível.

Em circunstâncias incomuns, é necessária uma avaliação médica, para considerar a vacinação destas crianças.

Complicações Neurológicas da Vacina Contra Febre Amarela – Tratamento

O tratamento das doenças neurológicas que têm associação com a vacina contra febre amarela varia de acordo com a especificidade de cada caso. O exame de escolha para o diagnóstico da síndrome é a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) com PCR para febre amarela, para testar a presença de vírus da vacina da febre amarela ou anticorpos específicos do vírus da febre amarela.

Diante da manifestação destes sintomas, é necessária uma avaliação neurológica, para identificar as complicações e iniciar o tratamento adequado.

Fonte:

https://www.cdc.gov/travel-training/local/historyepidemiologyandvaccination/page27404.html

Neurologista Infantil SP - Compartilhe!