Meningite Viral em Crianças


A meningite é uma inflamação na membrana que reveste o cérebro. É uma doença contagiosa e, quando não diagnosticada e tratada corretamente, pode levar a graves sequelas.
A meningite possui três causadores comuns: vírus, bactérias e fungos. O tipo mais comum e geralmente menos agressivo é o viral. São cerca de 11 mil casos anuais no Brasil, e sua taxa de mortalidade é bem inferior à dos demais tipos.
Crianças com até 5 anos de idade são as que têm maior chance de contrair a meningite viral. Entretanto, a doença pode atingir pessoas de todas as faixas etárias.
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Os sintomas da meningite viral em crianças assemelham-se aos sintomas dos adultos, e estes são frequentemente confundidos com os de doenças de menor gravidade, atrasando o diagnóstico da doença e o início do tratamento.
Os principais vírus envolvidos nas meningites virais são os Enterovírus. Esta é uma família de vírus que incluem o Coxsackievirus, o Echovirus, o Rhinovirus e o Poliovirus.
Eles são transmitidos através de contato intenso ou contato com tosse, espirro, saliva, fezes de pessoas infectadas, água e alimentos. Esses tipos de transmissão são conhecidos como: transmissão fecal-oral, oral-oral e respiratória.
O período decorrido entre a exposição ao vírus e o aparecimento dos sintomas é de 7 a 14 dias. Assim, a limpeza e a higiene são fatores primordiais para prevenção da doença, assim como manter os ambientes sempre arejados.
Os sintomas da meningite viral em crianças variam de acordo com a idade: os bebês com menos de um ano de idade ficam com a região da fontanela (moleira) inchada, ou seja, mais abaulada e tensa. Além disso, ficam muito chorosos e irritados.
Em bebês com menos de dois anos de idade, os sintomas comuns são: febre alta, choro constante, sonolência, irritabilidade, rigidez no pescoço e no corpo, falta de ânimo e de apetite.
Em crianças com mais de dois anos, os sintomas comuns são: febre alta e repentina, dor de cabeça forte, náuseas e vômitos, falta de energia (prostração), sonolência, falta de apetite, dor e rigidez no pescoço, dificuldade de concentração e confusão mental em casos graves.
Após a manifestação dos sintomas da meningite viral, deve-se marcar uma consulta médica com urgência ou levar a criança ao pronto-socorro infantil.
Durante a consulta, o pediatra irá verificar se a criança apresenta no exame físico alguma característica da meningite. Se o exame físico estiver alterado, o próximo passo será coletar o líquido cefalorraquidiano (líquor ou punção liquórica).
A coleta do líquor é feita no próprio pronto-socorro. É introduzida uma agulha na coluna lombar da criança e, então, são retirados cerca de 5-10ml de líquor. A dor da punção é igual a picada de uma agulha comum. Após a coleta, é importante que a criança permaneça deitada por cerca de 6 horas e beba muita água, para que não apresente dor de cabeça.
Para saber mais sobre a coleta do liquor, acesse este link.
O tratamento da meningite viral em crianças é mais simples que o dos outros tipos de meningite: pode ser realizado em casa, através de medicação para controle dos sintomas. Entretanto, não existe um remédio capaz de eliminar o vírus causador da meningite.
Durante o tratamento da meningite viral, recomenda-se que a criança permaneça em repouso, sem ir à escola ou sair de casa. É necessário ingerir muito líquido: ao menos 2 litros de água, chá ou água de coco diariamente.
Medicamentos como Paracetamol, Dipirona ou Ibuprofeno são recomendados para controle da febre.
O tratamento da meningite viral dura aproximadamente duas semanas, e durante esse período a criança deve passar por acompanhamento médico semanal, para avaliação do progresso do tratamento.
Geralmente, cerca de três dias após o início do tratamento, surgem os sinais de melhora da meningite viral, que incluem: aumento do apetite, menor dificuldade em movimentar o pescoço, redução da febre e também das dores musculares.
Em pouquíssimos dos casos a criança vítima de meningite viral permanece internada durante o tratamento, para acompanhamento médico. Isto geralmente acontece quando a criança apresenta grande quantidade de vômitos, o que impede que hidrate-se de maneira adequada.
Devemos lembrar que existem outros tipos de acometimento das meninges e do cérebro causados por vírus na faixa pediátrica. São eles: meningoencefalite viral (quando o vírus invade o tecido cerebral e causa rebaixamento do nível de consciência, alteração da marcha ou crises epilépticas), romboencefalite viral (quando o vírus também atinge o tronco cerebral), dentre outros. Estes casos geralmente são mais graves e merecem atenção redobrada, além de um cuidado especializado no ambiente hospitalar.
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