Epilepsia na Adolescência. Um adolescente epiléptico pede para ir a uma festa na casa de um amigo e por conhecerem os pais dele, não negam o pedido, mas desde que cumpra algumas regras. A partir desse dia, mal veem seu / sua filho(a) em casa nos finais de semana e, consequentemente, o comportamento começa a mudar.

Afinal, começou a ficar mais independente, a faltar nas consultas e nos tratamentos, apresentar baixa autoestima e frequentes alterações no humor, está mais introspectivo(a) e até desconfiam que não tem tomado mais os medicamentos que controlam os seus sintomas.

Preocupados, resolvem conversar com o jovem, mas ele está cada vez mais agressivo e inseguro, com as emoções mais intensas e nem imaginam o porquê. Já cogitaram que possa ter relação com a fase da vida em que se encontra, a adolescência, somada ao diagnóstico de epilepsia? Isso acontece porque são mais sensíveis às emoções devido à falta de controle de suas ações e impulsividade, por exemplo.

Continue acompanhando este artigo para saber mais sobre a Epilepsia e, principalmente, quais são os Sintomas mais comuns na Adolescência.

Epilepsia na Adolescência

Entendendo a Epilepsia na Adolescência

A epilepsia acontece quando as células cerebrais começam a exercer atividades excessivas e anormais por alguns segundos ou minutos. Quando esses sinais incorretos são emitidos e ficam restritos apenas a essa região cerebral, o quadro é conhecido como epilepsia focal. Caso se espalhe e atinja os dois hemisférios cerebrais, se trata de uma epilepsia generalizada.

A condição é caracterizada por crises epilépticas que se repetem por intervalos variados, em que acontece uma manifestação clínica de descargas elétricas anormais e excessivas dos neurônios.

Elas podem se manifestar com alterações da consciência ou de eventos motores, sensitivos, sensoriais, autonômicos (suor excessivo e queda de pressão, por exemplo) ou psíquicos involuntários que podem ser percebidos tanto pelo próprio paciente quanto por outra pessoa.

Por isso, o aconselhável é anotar o dia a dia do jovem, principalmente, no momento em que apresenta os sintomas; anotar os fatores que possam estar relacionados à suspeita e pedir para que amigos e pessoas do convívio relatem o que presenciam.

Saiba Como Reconhecer a Epilepsia na Adolescência

A adolescência é uma das fases da vida mais marcantes por vir repleta de autoconhecimento, experiências, primeiras vezes, frustrações… E a descoberta de um mundo repleto de novas oportunidades, independência e chances para errar.

Com isso, os jovens começam a ser apresentados aos passeios noturnos, às festas, aos relacionamentos, ao álcool, às drogas e outras coisas que até então não necessariamente faziam parte da sua vida.

Os adolescentes que têm epilepsia, em sua maioria, foram diagnosticados ainda na infância, porém, cerca de 2% podem desenvolver a doença durante esta fase da vida, principalmente, nas faixas etárias dos 10 aos 14 e dos 15 aos 19 anos. E tendem a ser classificados em um dos seguintes tipos de epilepsia:

  • Mioclônica juvenil: é a mais comum, generalizada e caracterizada por movimentos mioclônicos (tremores rápidos, podendo evoluir para crises convulsivas generalizadas), normalmente, ao acordar após ter uma noite tardia ou privação de sono, ou ao jogar videogame à noite e em um ambiente escuro;
  • Ausência juvenil: as crises de ausência tendem a acontecer diariamente, entre os 10 e 13 anos de idade, com duração de 30 a 40 segundos, e geralmente, são acompanhadas de olhar parado (com ou sem piscar rápido);
  • Com crises tônico-clônicas generalizadas: perda da consciência, corpo rígido, tremor dos membros, que podem se contrair, são alguns dos sintomas que costumam acontecer na puberdade, em um período de 2 horas depois de acordar, e pode ser sobreposta por outros tipos, mais conhecida como convulsão;
  • Crises parciais isoladas da adolescência: conhecidas como crises focais benignas da adolescência, são identificadas pela suscetibilidade de crises rara e idiopática (de início focal), e pela presença de déficits neuropsicológicos, e costumam acontecer dos 13 aos 15 anos de idade;
  • Focal sintomática: as convulsões iniciais acontecem durante o sono ou ao acordar;
  • Occipital benigna da infância de início tardio: igualmente conhecida como Síndrome de Gastaut, é incomum de acontecer, tem influência genética e pode ter seu início aos 09 anos e durar até os 15;
  • Mioclônica progressiva: é um grupo raro de epilepsias esporádicas e genéticas que podem surgir ou piorar nesta fase da vida.

Assim sendo, os jovens podem apresentar os seguintes sintomas, dependendo da classificação do seu quadro de epilepsia:

  • Convulsão;
  • Sensação de náusea;
  • Desconforto estomacal;
  • Estresse;
  • Confusão mental;
  • Esquecimento temporário ou ausência da consciência por um curto período de tempo, podendo resultar em um comportamento atípico ou não;
  • Distorção de percepção;
  • Movimentos descontrolados de uma parte do corpo;
  • Medo repentino;
  • Percepção auditiva ou visual diferente;
  • Entre outros.

Principais Orientações

Como as convulsões nesta faixa etária podem ser mais severas do que na infância, o tratamento mais indicado para cada caso depende de fatores que influenciam diretamente a vida do adolescente, tais como autoconhecimento, educação, emprego, capacidade de dirigir, relacionamentos, escolha do método contraceptivo e uso de drogas lícitas e/ou ilícitas.

Por isso, caso percebam esse tipo de comportamento em seu / sua filho(a), o ideal é buscar ajuda médica especializada e conversar, apoiar e encorajá-lo a lidar com a situação de forma independente e da melhor maneira possível.

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Artigo Publicado em: 18 jul, 2017 e Atualizado em: 23 de junho de 2022

Neurologista Infantil SP - Compartilhe!