Tiques e a Síndrome de Tourette em Crianças. Você, como pai/mãe coruja que é, não para de admirar seus filhos enquanto estão brincando, fica pensando nas conquistas que eles tiveram até o momento e nas preocupações do futuro. Mas, de repente, algo começa a te incomodar e não sabe dizer exatamente o que é.

De tanto observar, você percebe que o gesto “sutil” poderia passar despercebido por outras pessoas, mas a sua frequência e intensidade acabaram chamando a sua atenção: piscar, piscar e piscar. Um misto de sensações passa pelo seu corpo, então você marca a consulta, leva o pequeno ao médico e o diagnóstico vem: Síndrome de Tourette.

Continue acompanhando este artigo para saber mais sobre os Tiques e a sua relação com a Síndrome de Tourette em Crianças.

O Que É a Síndrome de Tourette?

A Síndrome de Tourette é um tipo de distúrbio neuropsiquiátrico – hereditário ou não –, caracterizada por tiques múltiplos (motores ou vocais) que, geralmente, ocorrem durante a infância e com uma frequência e intensidade variáveis, podendo persistir por mais de um ano.

Essas variações oscilam de acordo com os tipos e com os dias, mas de um modo em geral, os tiques também ocorrem em ondas e pioram se a criança apresenta quadros de estresse, que independem de problemas emocionais.

A Síndrome de Tourette e seus Sintomas

Apesar da Síndrome de Tourette poder estar associada a sintomas dos Transtornos Obsessivo-Compulsivo (TOC), ao de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e de Aprendizagem, por causa dos tiques que aparecem como uma característica em comum, ela apresenta características distintas, conforme pode ser observado a seguir.

Em 80% dos casos, os tiques motores são os primeiros sinais a se manifestarem e podem ser identificados por meio de:

  • Realização de movimentos mais complexos do que os considerados habituais;
  • Balançar de cabeça;
  • Contrair dos músculos da face;
  • Contrair, em trancos, dos músculos abdominais ou outros;
  • Franzir da testa;
  • Piscar.

Já os tiques vocais são caracterizados pelos ruídos não articulados, tais como fungar, limpar a garganta e/ou tossir. Porém, com o passar do tempo e com o desenvolvimento cognitivo da criança, eles podem acabar evoluindo para uma emissão parcial ou, até mesmo, completa das palavras. Além disso, e em números menos expressivos, há a possibilidade de o pequeno apresentar os seguintes sintomas:

  • Fazer o uso involuntário de palavras (coprolalia) e/ou de gestos obscenos (copropraxia);
  • Insultar;
  • Repetir sons, palavras ou frases ditas por outra pessoa (ecolalia).

Mas Afinal, Como É Possível Diagnosticar este Tipo de Síndrome?

O diagnóstico é feito por um médico neuropediatra ou por um psiquiatra especializado no assunto, já que é preciso seguir alguns critérios clínicos, como:

  • Os dois tipos de tiques (motores e vocais) não se manifestam, necessariamente, ao mesmo tempo;
    Eles devem ocorrer repetidas vezes ao longo das 24h, quase todos os dias ou por, pelo menos, três meses consecutivos;
  • E o quadro deve ter tido o seu início ainda durante a infância, ou seja, antes de a pessoa completar 18 anos de idade – normalmente, se manifesta entre os dez e 12 anos.

E Agora, o Que Fazer?

Apesar de não existir tratamento para a Síndrome de Tourette, estudos clínicos apontam que a reversão de hábitos, também conhecida como terapia comportamental cognitiva, ajuda no controle do distúrbio. O intuito é fazer com que o paciente reconheça as sensações que antecedem os tiques e responda a elas com uma reação completamente incompatível.

Outras opções são a cirurgia, a aplicação de toxina botulínica em áreas distintas e o uso de medicamentos antipsicóticos, que diminuem a intensidade dos tiques e, consequentemente, acabam ajudando com a autoestima e a aceitação social. Além disso, também são indicadas as práticas de atividades físicas, que estimulam o relaxamento, e de exercícios que aliviam o estresse, como a meditação e a ioga.

E como estes sintomas característicos estão propensos a causar constrangimentos em algumas crianças, elas podem acabar desenvolvendo quadros de fobia social, de ansiedade e de irritabilidade, por isso, é recomendado procurar a ajuda de um especialista assim que detectar alguns dos sinais citados acima, para que o tratamento comece o quanto antes e os possíveis riscos possam ser diminuídos.

Referência: Child Neurology Consultants of Austin

Neurologista Infantil SP - Compartilhe!