Transtorno de Aprendizagem Não Verbal


Transtorno de Aprendizagem Não Verbal. Quantas vezes vocês não se irritaram ou se frustraram por causa de um diagnóstico equivocado ou por ouvir do médico que ele ainda não sabe dizer exatamente o que você ou o seu filho tem? Mas, já pararam para pensar porque isso acontece?
Existem condições médicas que não necessariamente são fáceis de diagnosticar, já que os sintomas se assemelham com outros quadros clínicos. E uma prova disso é o Transtorno de Aprendizagem Não Verbal, que pode ser confundido com o autismo ou com uma dislexia grave, por exemplo.
Continue acompanhando este artigo para saber do que se trata esta condição, quais são as suas características e o que fazer diante de uma situação como esta.
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Antes de começarmos, quero que pensem na seguinte frase: “Você não pode prestar atenção se não puder entender”. Diante disso, podemos prosseguir.
O Transtorno de Aprendizagem Não Verbal (TANV) é raro (atinge 1% das crianças e dos adolescentes) e ainda pouco conhecido, e se trata de uma alteração específica no funcionamento do cérebro, em que o raciocínio matemático, a cognição visual e espacial, a coordenação motora, a percepção sensorial e as habilidades sociais são afetados.
As causas do TANV ainda são desconhecidas, porém os estudiosos sabem que este tipo de transtorno ocorre por causa de uma alteração no hemisfério direito do cérebro e que tem mais chances de atingir os pequenos quando se já tem um histórico familiar.
A criança que tem TANV costuma apresentar características específicas, tais como:
Apesar de todas estas características e de que a gravidade de cada quadro depende da intensidade dos sinais, os pequenos que têm TANV costumam apresentar maior habilidade para desenvolver a linguagem e o vocabulário, para decodificar a leitura (muitas vezes precocemente) e para a memória verbal. Ou seja, há uma facilidade para ler e soletrar, mas uma dificuldade na área de exatas e na interação social.
Para que o diagnóstico de Transtorno de Aprendizagem Não Verbal seja feito, é preciso ter uma avaliação com uma equipe interdisciplinar, e contar com a ajuda de testes neuropsicológicos, que captam os domínios da inteligência; o desempenho escolar; as habilidades sensório-motoras; o processamento viso-espacial, da aritmética e do funcionamento psicossocial.
Além disso, são levados em consideração o comportamento; os históricos genéticos; a gestação; como é a vida acadêmica e a interação com a sociedade; como desenvolve a fala e a linguagem; os QIs verbal, de desempenho e de desenvolvimento motor.
Mas é importante vocês saberem que mesmo assim, o diagnóstico é difícil de ser feito e que o quadro até pode ser confundido com Transtorno do Espectro Autista (TEA), com Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e até com a dislexia.
Isso, por causa da semelhança entre alguns sintomas e porque os quadros são únicos, ou seja, cada criança apresenta uma característica diferente da outra. E o que pode ser considerado como uma desorganização e desatenção, por exemplo, que são característicos do TDAH, na verdade, pode ser o indício de TANV.
Agora, lembram-se da frase do início do artigo que eu pedi para que pensassem (“Você não pode prestar atenção se não puder entender”)? É praticamente o que acontece com quem tem este tipo de transtorno. Os pequenos têm dificuldade logo no começo da ação; logo, se não conseguem entender algo desde o princípio, dificilmente conseguirão agir da forma esperada ou conforme indicada.
O ideal é que a intervenção seja feita por uma equipe multidisciplinar assim que o diagnóstico de TANV é confirmado. Dentre os profissionais estão, principalmente, os especializados em Neuropediatria, Psicologia, Pedagogia e Fonoaudiologia. E, geralmente, o indicado é reforçar a memorização verbal; explicar o contexto do que precisam aprender, o objetivo das tarefas e o modo de alcançá-los, por exemplo.
Mas o mais importante de tudo é: procure ajuda. Não importa se são pais de primeira viagem ou se estão no segundo ou terceiro filho. Quando o diagnóstico é feito precocemente, as chances de recuperação são maiores, o que acabaria proporcionando uma melhor qualidade de vida para o seu filho e para a sua família como um todo.