Traumatismo Cranioencefálico na Infância. A aflição de quem tem os filhos em casa com a babá ou na escola para poderem trabalhar é compartilhada por muito pais. E engana-se quem pensa que o alívio vem ao chegar em casa, já que cada dia eles lidam com um aprendizado diferente e podem acabar se machucando, se arranhando e sujando várias peças de roupas.

Mas você nunca vai estar preparado(a) para receber uma ligação de um dos responsáveis pela criança no momento, dizendo que estão à caminho do hospital devido à uma queda. E, apesar de assustador, nem sempre os casos são tão graves imaginam ou esperam.

Continue acompanhando este artigo para entender o que é o Traumatismo Cranioencefálico na Infância e como lidar com este tipo de situação.

O Que É o Traumatismo Cranioencefálico?

O Traumatismo Cranioencefálico (TCE) é uma condição mais comum em crianças do que se pensa, principalmente quando elas atingem a fase de aprender a andar. Nessa etapa, é normal que os pais fiquem apreensivos, inseguros e com medo de que ocorra uma queda, sobretudo durante os passos rápidos, como corridas, ou devido a algum obstáculo, como tapetes e brinquedos espalhados pelo chão.

Este tipo de quadro consiste em uma lesão séria na cabeça, que pode provocar danos cerebrais graves ao paciente. E as fraturas podem ocorrer por toda extensão craniana, além do comprometimento interno da parte óssea, que pode causar contusões e coágulos sanguíneos.

Além disso, as feridas podem ser percebidas tanto no lado do impacto, quanto no oposto, fenômeno este, conhecido como contragolpe, já que há forças de aceleração e de desaceleração que atingem o cérebro.

De forma geral, os TCEs são provocados por fortes impactos na região da cabeça e em uma incidência que é muito comum na pediatria, principalmente por conta das quedas de grandes alturas, já que, por estarem sempre fazendo novas descobertas, acabam se acidentando com mais frequência.

E, embora algumas crianças consigam se recuperar com o tratamento mais indicado para cada caso, este tipo de Traumatismo ainda é o principal causador de óbitos em lesões sofridas pelos pequenos e pelos adolescentes: ele corresponde a até 95% das incidências de morte dentro dos primeiros 20 anos de vida, podendo ser caracterizado de acordo com o seu mecanismo, com a gravidade e com a morfologia.

O Que Causa o TCE?

O Traumatismo Cranioencefálico é o resultado de um forte impacto na cabeça. Os principais acidentes envolvendo crianças ocorrem após alguma queda maior que sua própria altura, em brinquedos de playground, em escadas, dentre outros.

Choques contra objetos, por exemplo, são menos sérios quando estão andando, e podem não gerar sintomas diferentes de uma protuberância na região, o chamado “galo”. Já no momento em que a colisão ocorre durante uma corrida, a gravidade do caso pode ser maior, por isso que, ao menor sinal de desconforto do pequeno, encaminhe-o com urgência a um Pronto Socorro.

Traumatismo Cranioencefálico Provoca Sintomas?

Quando se trata de crianças, é comum que logo após o impacto elas chorem, independente da força da batida. Isto ocorre devido ao susto que elas levam com o choque e a uma possível dor que venham a sentir.

Por isso, é importante observar a duração e a intensidade do choro dela: se ele persistir e se intensificar, é sinal de que o desconforto está aumentando. Neste caso, é preciso atentar-se em relação aos demais sintomas, que incluem dor de cabeça progressiva e persistente, acompanhada de náuseas ou vômitos.

Em casos mais complexos, os sinais podem incluir sonolência, irritabilidade, sangramento pelo ouvido ou pelo nariz, desmaio, amnésia, déficits neurológicos e até mesmo crises convulsivas. Sendo que todos eles podem surgir até 12 horas depois do incidente; logo, é sempre bom monitorar os filhos durante este período.

Primeiros Socorros Pós-Traumatismo Cranioencefálico

Diante da ocorrência de algum acidente com risco de TCE, a primeira coisa a se fazer é acalmar a criança, caso ela esteja consciente. Já em caso de desmaios, o ideal é imobilizá-la e buscar ajuda médica imediatamente. E perante o surgimento de crises hemorrágicas, deve-se pressionar suavemente o local com um pano limpo, até a chegada de uma ambulância.

Traumatismo Cranioencefálico na Infância – Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico de Traumatismo Cranioencefálico na Infância deve ser feito o mais rápido, já que, somente após a confirmação da lesão, é possível encaminhar o pequeno ao tratamento adequado.

E nestes casos, o exame mais indicado para identificar os traumas é a Tomografia Computadorizada, que gera imagens mais detalhadas, por isso, é possível identificar se há – ou não – algum ferimento intracraniano, bem como o grau de comprometimento cerebral provocado pelo mesmo.

Já o tratamento, tem como objetivo, evitar uma contusão secundária que, entre outros agravantes, pode causar a alteração da oxigenação cerebral, da temperatura e da pressão no cérebro da criança.

Geralmente, quando o grau da lesão é leve, o paciente pode receber alta logo após passar dois dias em observação. Durante este período, a criança recebe anticoagulantes e remédios que visam evitar a inflamação cerebral e, logo em seguida, é encaminhada para fazer acompanhamento com um Neurologista Infantil, como uma forma de medida cautelar.

Enquanto que, a perda de consciência por mais de cinco minutos e acompanhada de convulsão pós-trauma pode ser sinal de um ferimento mais grave, capaz de gerar um quadro de hemorragia interna e de fraturas sérias. E nesses casos, o melhor a se fazer é recorrer a um procedimento cirúrgico, para que a criança consiga se recuperar melhor.

Vale ressaltar que os menores de cinco anos devem estar sempre sob supervisão de um adulto em ambientes que possam oferecer-lhes algum perigo, bem com, fazer a utilização de cadeirinhas específicas para a idade da criança em automóveis – de obrigatoriedade por lei, pois elas podem evitar estes tipos de situações em casos de acidente, assegurando a integridade do pequeno.

Não deixe de cuidar da saúde física e neurológica do seu filho! Para mais informações, consulte o Neuropediatra da sua confiança.

Referência: Harvard Health

Neurologista Infantil SP - Compartilhe!