Tratamento da Epilepsia. Se você chegou até aqui, não é porque, necessariamente, está procurando o conceito de Epilepsia, não é mesmo?! Provavelmente, já teve o diagnóstico ou suspeita que seu filho tenha este distúrbio e busca por informações que possam te acalmar e assegurar as orientações que recebeu.

Mas tudo bem se não for esse o real motivo por estar aqui. Qualquer que seja a razão, você pode sanar as suas dúvidas comigo. Continue acompanhando este artigo para saber mais sobre Como Funciona o Tratamento da Epilepsia.

Tratamento da Epilepsia

Entendendo o Conceito de Epilepsia

Primeiro, vamos a uma introdução básica. Afinal, independentemente dos seus motivos, é preciso deixar claro o que é a Epilepsia. Então vamos lá! A crise epiléptica é uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro.

Ela acontece quando as células cerebrais começam a exercer atividades excessivas e anormais (envio incorreto de sinais), por alguns segundos ou minutos. As crises podem se repetir por intervalos variados e se manifestar por meio de alterações da consciência ou de eventos motores, sensitivos, sensoriais, autonômicos ou psíquicos involuntários.

Como Tratar a Epilepsia

O tratamento costuma ser feito por meio de medicamentos anticonvulsivantes prescritos pelo médico. Eles são utilizados de forma a evitar as descargas elétricas cerebrais anormais, que são as responsáveis pelas crises epilépticas.

Para saber qual o tipo de abordagem pode ser utilizado, o profissional da saúde baseia-se em fatores, como:

  • Idade;
  • Sexo;
  • Tipos de convulsões ou de síndromes apresentadas;
  • Existência ou não de outras condições médicas.

E por se tratar de um cuidado medicamentoso, o remédio não tem efeito imediato, logo, não adianta usá-lo somente quando houver crises ou fazê-lo sem o acompanhamento do neuropediatra. Com exceção dos medicamentos de emergência, utilizados nos casos de epilepsia tônico-clônica para interromper a convulsão com duração de 30 minutos ou mais, que pode causar danos cerebrais ou morte.

Após a prescrição do remédio – a criança começa a ingerir doses baixas e o aumento é feito gradualmente, até chegar ao nível ideal para controlar as convulsões –, é preciso seguir as orientações médicas, que costumam ser de:

  • Ingeri-lo a cada 8h, 12h ou 24h;
  • Tomá-lo na quantidade e na hora indicadas pelo especialista;
  • Ir às consultas periódicas (a cada 2 ou 3 meses, ou uma vez por ano – a frequência também varia de acordo com os casos e com o tipo de abordagem utilizados), para que os reajustes necessários sejam feitos, para descobrir quais fatores estão proporcionando o aumento das crises ou verificar a presença de possíveis efeitos colaterais;
  • Não se esquecer de tomá-los – se acontecer, tome-o assim que lembrar, desde que tenham se passado 1h ou 2h horas do indicado – ou não suspender o uso deles abruptamente ou sem a devida orientação médica;
  • Dormir o suficiente;
  • Fazer refeições equilibradas e em horários regulares;
  • Observar e anotar quais fatores podem estar desencadeando as crises epilépticas.

Os Medicamentos e os Efeitos Colaterais

Assim como pode acontecer com qualquer tipo de remédio, com os medicamentos antiepilépticos também existe o risco de haver efeitos colaterais, que podem variar de acordo com o tipo de abordagem escolhido pelo médico que estiver acompanhando o caso do seu filho. Logo, os pequenos podem apresentar:

  • Hiperatividade;
  • Agressividade;
  • Irritabilidade;
  • Insônia ou sonolência;
  • Perda ou aumento de apetite – e ganho de peso;
  • Náuseas e vômitos;
  • Danos ao fígado (em casos específicos);
  • Movimentos involuntários dos olhos;
  • Erupções cutâneas e/ou alergias;
  • Dificuldades de equilíbrio;
  • Ossos enfraquecidos;
  • Problemas de atenção e de memória;
  • Crescimento excessivo da gengiva e dos pelos;
  • Aumento do risco de infecções (quando o remédio interfere na contagem de leucócitos);
  • Dor de cabeça;
  • Fadiga;
  • Tontura;
  • Formigamento nas mãos e nos pés;
  • Mal estar gástrico;
  • Aumento da secreção brônquica.

Quando observar que alguns destes sintomas começaram a surgir após o início do tratamento da epilepsia, marque uma consulta e converse com o neuropediatra que estiver cuidando do caso. Dependendo da situação, pode haver a necessidade de trocar o tipo de medicamento utilizado.

Existem Outras Formas de Tratamento?

Após algumas tentativas com medicamentos e caso você e o médico concordem que os remédios utilizados como forma de tratamento não estão sendo suficientes para o caso do seu filho, existem outras maneiras de interromper ou de reduzir o número de convulsões apresentadas pela criança.

Elas podem variar em:

  • Cirurgia para epilepsia: este tipo de abordagem é usado quando as convulsões se originam em um lugar específico do cérebro (focal) e são motivadas pelo tecido cicatricial, por tumor, por um cisto ou por uma lesão que possa ser corrigida cirurgicamente;
  • Terapia de Estimulação do Nervo Vago (VNS): é utilizado um dispositivo, destinado às crises múltiplas ou disseminadas, que envia sinais elétricos intermitentes ao cérebro, para que ele as interrompa;
  • Dieta cetogênica: é caracterizada por refeições com alto teor de lipídeos e baixa ingestão de carboidratos.

E como qualquer condição médica, a epilepsia deve ser tratada de acordo com as orientações de um especialista. Quando isso não ocorre, aumenta o risco de acidentes nas crianças, como afogamento e traumatismo craniano, por exemplo.

Por isso, procure o neuropediatra, tire todas as dúvidas – afinal, não existe pergunta boba – e, para o bem do seu filho e o bem-estar da sua família, siga todas as recomendações.

Referência: Epilepsy Action

Neurologista Infantil SP - Compartilhe!